quinta-feira, 15 de setembro de 2016

#STFMinhaVidaNãoTemPreço

Hoje, 15/09, será discutido pelo Supremo Tribunal Federal, agora sob a Presidência da Juíza Cármen Lúcia, "se é dever do Estado fornecer medicamento de alto custo que não consta do programa de dispensação de medicamentos em caráter excepcional." Circulam pelas redes sociais abaixo assinados e petições eletrônicas para pressionar o STF e reforçar que o direito à SAÚDE é previsto em nossa Constituição e deve ser respeitado. 

Considerando que a maioria dos medicamentos de alto custo para muitas doenças raras, inclusive a Síndrome de Rett, não está prevista nesse programa de dispensação, É MUITO IMPORTANTE A MOBILIZAÇÃO DAS FAMÍLIAS E DA SOCIEDADE COMO UM TODO.

Segue o link para o abaixo assinado: http://chn.ge/2cr6q8m

Precisamos atingir 35.000 assinaturas ainda hoje, antes do início da sessão plenária desta quinta-feira (15), às 14h, no Supremo Tribunal Federal. A sessão é transmitida em tempo real pela TV Justiça, Rádio Justiça e no canal do STF no YouTube.







Abaixo, íntegra da carta aberta da AFAG (AFAG - Associação dos Familiares, Amigos e Portadores de Doenças Graves) sobre o tema:


"CARTA ABERTA AO STF:
Excelentíssimos Senhores Ministros do Supremo Tribunal Federal:
Tendo em vista a recente reunião da Excelentíssima Senhora Ministra Presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, com 25 dos 27 governadores de estados brasileiros, nós da Associação dos Familiares, Amigos e Portadores de Doenças Graves (AFAG) manifestamos a nossa profunda atenção e preocupação com os desdobramentos da discussão levantada sobre a chamada: “judicialização da saúde”.
Mais uma vez, gestores manifestaram o seu esforço retórico tentando caracterizar os pedidos de acesso a tratamentos e procedimentos de alto custo como responsáveis pelo desequilíbrio das contas públicas que atendem os serviços disponíveis a toda a população, ou seja, uma forma de categoricamente afirmar que vidas podem ser compensadas por outras vidas.
O acesso integral à saúde é um processo regular à luz da nossa Constituição, sendo um direito fundamental assegurado a todo cidadão, como muito bem já evidenciado por inúmeras decisões deste Tribunal. Mas como confiar que estamos respaldados pela Lei se nossos próprios representantes, eleitos democraticamente pelo povo, são os principais repressores das iniciativas individuais para se ter acesso a, muitas vezes, a única forma de salvar uma vida?
A situação é tão absurda que, como bom exemplo, a Secretaria Estadual de Saúde do Estado de São Paulo por meio da Resolução nº 83/2015 estabelece que nas prescrições médicas que envolvam medicamentos que estão fora dos protocolos do SUS, o médico deverá justificar sua conduta, por intermédio de relatório ao Diretor Técnico da Instituição. Se entendido desta forma, o custo da dispensação de medicamentos não padronizados ou não contemplados nos protocolos da assistência farmacêutica do SUS, prescritos por médico da rede estadual de saúde, poderá ser custeado pela instituição ao qual o mesmo esteja vinculado ou vir a recair contra o próprio profissional.
Esta disposição infra legal, contraria formalmente o próprio Código de Ética Médica, legislação que norteia os direitos e deveres médicos frente aos pacientes, onde tudo deverá ser feito objetivando os melhores meios de prevenção, diagnósticos e tratamentos. Nesta legislação fica evidente não somente os direitos do médico do livre exercício da profissão, mas também seus deveres de garantir o melhor tratamento a seus pacientes, cuja omissão poderá ser considerada conduta incompatível e até mesmo ser passível de medidas legais, caso constatado que o profissional, estando ciente da doença do seu paciente, deixou de tratá-lo com meios mais adequados por uma imposição governamental, destituída de legalidade e afrontando cabalmente a legislação em comento, cujos principais artigos abaixo se reproduz:
Deve-se trazer a tona, que no ano de 1993, o Conselho Federal de Medicina disciplinou na Resolução 1.401, estabelecendo que as operadoras de saúde "não podem impor restrições quantitativas ou de qualquer natureza" ao exercício da profissão de médico.
O próprio Código de Ética Médica é claro quando o assunto é a intervenção na conduta médica. Logo no Capítulo I o código estabelece que o alvo de toda atenção do médico é a saúde do ser humano, cabendo ao médico aprimorar-se continuamente e usar o melhor do progresso científico em benefício do paciente.
Ainda, lembra o Código de Ética que o profissional deve exercer a profissão com autonomia e que não pode, em nenhuma circunstância ou sob qualquer pretexto, renunciar a sua liberdade profissional, nem permitir quaisquer restrições ou imposições que possam prejudicar a eficiência de seu trabalho. O mesmo se atende para a saúde publica.
O Código de Ética estabelece claramente que "nenhuma disposição estatutária ou regimental de hospital ou de instituição, pública ou privada, limitará a escolha do médico dos meios cientificamente reconhecidos a serem praticados para o estabelecimento do diagnóstico e da execução do tratamento, salvo quando em benefício do paciente".
A tentativa do Estado é de controlar os profissionais solicitantes, pressionando-os para receitarem apenas o que está previsto no rol de coberturas e com isso diminuir as demandas judiciais.
O Código de Ética Médica garante ao médico direitos e também lhe imprime deveres, os quais devem ser respeitados, sob pena do profissional de saúde vir a ser responsabilizado pessoalmente, civil e criminalmente, por dolo, culpa, negligência, imprudência, imperícia, omissão, caso seja constatado que não veio a utilizar-se dos melhores meios disponíveis para assistir o paciente em face das especificidades de sua patologia.
O direito de prescrição é um direito do profissional executante do procedimento e que a ele não pode renunciar, sob pena de incorrer em grave infração ética ao colocar em risco a vida e a saúde do seu paciente.
Concluindo, entende-se que quaisquer interferências sobre a atividade do médico são condenáveis e jamais podem ser impostas a nenhum médico em nosso País. O bem estar do paciente está sob integral responsabilidade do médico cuidador. Nem o Estado e nem as operadoras de plano de saúde podem impedir que os médicos receitem medicamentos que melhor atende as necessidades dos pacientes, pois, configura-se abuso de poder.
Entendemos a preocupação de muitos gestores com o eventual mau uso da ferramenta jurídica, que em alguns casos pode ser utilizada de forma indevida. Mas também sabemos que casos escusos representam uma parcela ínfima das milhares de ações que tramitam no judiciário, no tocante à saúde. Por este motivo, como entidade de defesa dos direitos fundamentais das pessoas com doenças graves e raras, nós também ressaltamos a grande importância de que em todos os pedidos a serem submetidos para apreciação do judiciário estejam muito claros os valores jurídicos que visam ser preservados, a fundamentação médica, a ética, a legalidade e a moralidade.
Mas o que, infelizmente, estamos constatando é uma verdadeira repressão ao livre exercício da atividade médica e também do próprio acesso do paciente a um atendimento de qualidade e comprovadamente benéfico para, pelo menos, a garantia da melhoria de sua qualidade de vida. Estamos verificando, um total desrespeito com a autoridade médica, especializada naquela patologia, que em sua imensa maioria dedica sua vida ao tratamento de doenças mais complexas, pouco frequentes, raras e de difícil tratamento. Estamos verificando, que relatórios médicos de especialistas no assunto, com reconhecimento, não somente nacional, mas internacional, estão sendo contestados por profissionais a serviço da justiça sem qualquer especialidade sobre o assunto, sem nunca ter acompanhado e tratado pacientes com aquela patologia.
Para a preservação da nossa democracia e para a proteção da nossa Constituição, é necessário que o STF confirme, de maneira indiscutível, a necessidade de responsabilizar os governos para com a vida dos seus cidadãos. Nós da AFAG há mais de dez anos lidamos de perto com as decisões do governo em relação à atenção a pessoas com doenças graves e raras, que são as mais atingidas pela problemática da judicialização da saúde. O que pudemos constatar, após tantas reuniões, audiências e debates, é que o problema da desorganização das contas da saúde não são as ações judiciais e sim a má gestão. A porcentagem dos gastos com a judicialização da saúde é muito pequena se comparada ao orçamento total para a saúde no Brasil. Valendo ainda ressaltar que, inobstante ser o Brasil um dos países que mais arrecada com impostos, é um dos que menos investe na saúde pública. Esse dado nos mostra que as principais causas da crise financeira da saúde acontece pela má administração dos recursos e também dos, já mais do que comprovados, desvios de verba pública que são recorrentes em diversas localidades de todo o território nacional.

A judicialização não é causa e sim consequência de um Sistema de Saúde Público desestruturado, sucateado pela má gestão, falta de investimentos, de compromisso e pelos reiterados desvios de quantias bilionárias, como comprovadamente e reiteradamente estamos presenciando.
Ao incluir na pauta na sessão desta quinta-feira (15) com decisão de Repercussão Geral, o que for julgado poderá ser invocado em milhares de casos, trazendo prejuízos para milhares de pacientes e pondo em risco suas próprias vidas. Grande parte das ações previstas estão ligadas ao direito à saúde. Na primeira delas, o STF deve decidir se é dever do Estado fornecer medicamento de alto custo a portador de doença grave que não possui condições financeiras para comprá-lo. O caso envolve paciente que reivindica um remédio de alto custo para hipertensão pulmonar, mas que não está previsto na relação fornecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Outra ação semelhante, o plenário analisa se o governo de Minas Gerais é obrigado a fornecer medicamento não registrado na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O paciente alega não ter condições financeiras de importá-lo, mas reivindica seu direito à saúde. Sobre o mesmo assunto, os ministros poderão analisar uma ação do governo federal que questiona entendimento do próprio STF segundo o qual União, estados e municípios têm responsabilidade solidária no fornecimento de medicamentos e tratamento de saúde.
Levantar uma discussão sobre obrigatoriedade de fornecimento de medicações, inclusive não registradas, na competência de responsabilidade das esferas de governo, considerando a situação conjuntural da economia brasileira, pode trazer prejuízos, sem precedentes, para toda a sociedade brasileira ou determinar um avanço no debate sobre mecanismos legítimos de se reduzir a “judicialização da saúde”, não com meios restritivos do acesso à justiça, mas com a criação e principalmente, com a implementação de políticas mais inclusivas e realmente efetivas como garantia do principal direito de um indivíduo, sua VIDA, sua SAÚDE.
O julgamento destes casos em desfavor dos pacientes poderá acarretar um Genocídio em Massa, visto que colocará a imensa maioria destes pacientes, condicionados aos ditames de uma política de saúde em muitos aspectos ultrapassada e sem recursos. O cidadão ficará a mercê de Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas, que há anos não atualizados, não garantem o acesso a tratamentos que mesmo registrados na ANVISA não foram incorporados (o que representa a imensa maioria).
Sabe-se lá por quais motivos, também não garantirá acesso a tratamentos que embora reconhecidos mundialmente, com registro em dezenas de países, nos principais órgãos reguladores internacionais, como Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos e European Medicines Agency (EMA) da União Europeia, submetidos à ANVISA, ainda não tenham sido registrados, por razões que não temos como avaliar. E outros ainda que também reconhecidos mundialmente, com registros em dezenas de países, ainda não foram submetidos na ANVISA, por razões diversas. E neste último caso, fácil é citar um exemplo: existem doenças ultra raras, podendo no Brasil não ter mais que cinco ou dez pacientes. Nestes casos, o fabricante de tratamento para esta patologia, não teria nenhum interesse ou mesmo condições em se estabelecer no Brasil para vir a registrar um tratamento que atenderá apenas cinco pacientes. Embora seja um tratamento reconhecido mundialmente, mas por tratar-se de um medicamento para uma doença ultra rara, como poderemos obrigar o registro em nosso país? E estes 5 pacientes, não teriam direito à vida?
Por todo o exposto, é fundamental que os Excelentíssimos Senhores Ministros do STF respondam a essa pergunta objetiva: afinal, é correto sentenciar uma pessoa a morte para justificar o equilíbrio das contas públicas ou é preciso pressionar o Governo a encontrar soluções inteligentes, priorizando o que realmente importa, ou seja, SAÚDE e VIDA, possibilitando assim incluir todo cidadão em uma política verdadeiramente democrática?
Atenciosamente,
Maria Cecília Jorge Branco Martiniano de Oliveira,
Presidente da AFAG."


domingo, 3 de abril de 2016

O tempo passa...

Prezados seguidores do blog, faz muito tempo que não acessava a administração deste blog. Em parte pelo fato de ter perdido o acesso à minha conta do Gmail que me permitia administrar meus blogs. E também por ter me ausentado do cenário acadêmico nessa área por um longo tempo (é impressionante como a vida dá muitas voltas, não é mesmo?).

Já faz alguns anos que não atuo na área de pesquisa sobre a Síndrome de Rett, mas de maneira alguma deixei de me solidarizar com a luta das famílias e profissionais de saúde engajados no tema. E por esse motivo eu gostaria de mais uma vez abrir esse espaço para aqueles que desejam dar continuidade ao trabalho que eu iniciei ao criar este blog. 

O objetivo é LEVAR INFORMAÇÃO A QUEM PRECISA: relatos, comentários, partilha de experiências, atualizações científicas. Familiares de pacientes, cuidadores, profissionais de saúde. Todos são bem vindos para somar. Se você tem interesse em colaborar como administrador do blog envie um e-mail para leilaschuindt@gmail.com. Vamos continuar esse trabalho?

Gratidão.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Programação da III Jornada


Clique na imagem para ampliar.


segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Informações sobre a III Jornada sobre a síndrome de Rett do HUGG

Dando continuidade às informações sobre a 'III Jornada sobre síndrome de Rett do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle', em breve divulgaremos neste blog a programação completa da Jornada, com as atividades e participantes, bem como outros detalhes relevantes.



Lembramos que para participar da Jornada não é necessário fazer inscrição prévia. No entanto, pedimos aos familiares interessados que enviem um email para jornada.sindromederett@gmail.com confirmando sua presença, indicando se levará ou não sua filha, e se ela faz uso de cadeira de rodas.



No caso dos profissionais interessados, pedimos que indiquem no email qual a sua profissão e sua área de atuação (pesquisa, assistência, terapia, etc.) e seus interesses específicos sobre a síndrome de Rett.



Esta idéia do contato por email é uma forma de termos um 'feedback' dos interessados em prestigiar a III edição desta Jornada. E também uma maneira de nos mantermos em contato com vocês, desde já, para que possamos organizar este encontro de modo que todos nós possamos aproveitar ao máximo mais esta oportunidade de trocarmos experiências (tanto as profissionais quanto as de vida).


Em breve aqui no blog mais postagens sobre a III Jornada. Aguardem!

domingo, 9 de setembro de 2012

Marquem esta data em suas agendas!!!

Não se esqueçam: esta data merece detaque em nossos calendários. Dia 19/10/2012, "III Jornada sobre a Síndrome de Rett do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle".



 
Aguardamos a presença de todos vocês. Até lá!

sábado, 1 de setembro de 2012

III Jornada sobre a Síndrome de Rett do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle

É com muita satisfação que convidamos a todos vocês para a "III Jornada sobre a Síndrome de Rett do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle".

Será no dia 19 de Outubro de 2012, das 09:00h às 16:00h, no Auditório do CEMPE (Centro Multidisciplinar de Pesquisa e Extensão sobre Envelhecimento/HUGG). O endereço é Rua MAriz e Barros, 775 - Tijuca - Rio de Janeiro.

Em breve divulgaremos as informações sobre a programação completa e participantes convidados. Aguardem!

terça-feira, 27 de setembro de 2011

"Autismo não é problema ‘meramente pediátrico’, diz pesquisador brasileiro"

Em recente visita ao Brasil, o Dr. Alysson Muotri, pesquisador na área de transtornos autistas, proferiu uma palestra em evento promovido pela ONG "Autismo e Realidade". Segue o link: http://www.autismoerealidade.com.br/2011/09/autismo-nao-e-problema-meramente-pediatrico-diz-pesquisador-brasileiro/

sábado, 17 de setembro de 2011

II Jornada sobre Síndrome de Rett do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle

A "II Jornada sobre Síndrome de Rett do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle" será realizada no dia 22 de Outubro de 2011 (num sábado), das 09:00h às 17:00h. Mais detalhes abaixo:


Em breve, o programa de palestras será divulgado aqui também.

Esperamos que esta nova edição da Jornada seja tão proveitosa quanto a anterior. Será mais uma oportunidade para nos reunirmos e trocarmos experiências. Participem!

sábado, 7 de maio de 2011

Feliz Dia das Mães

Nas últimas semanas, fomos bombardeados por uma série de notícias de casos de abandono de bebês, deixados pelas próprias mães em latas de lixo, ruas, quintais e caçambas de entulho. Diante destas notícias, e com a proximidade do Dia das Mães, me pergunto como alguém é capaz de cometer tal ato. E sou levada a pensar: "Qual o real significado de ser mãe?".

Eu, que ainda não passei por esta experiência, tenho uma vaga idéia. Mas sei que não se aproxima nem um milésimo do que isto significa. Acho que ser mãe é uma espera paciente (ao longo da gestação; durante uma vida se desenvolvendo...). É entrega e doação. Amor incondicional. É proteger, acolher, amparar. Para sempre. Todo um misto de alegria e dor. Dúvidas e incertezas. E acho que tudo isso se amplifica, de alguma forma, ao se descobrir mãe de uma criança portadora de síndrome de Rett.

E tenho a impressão de que, para elas, o tempo não passa no mesmo compasso. Cada pequeno degrau do desenvolvimento de suas filhas está numa escala de tempo diferente. Representa um grande passo. E de alguma forma, essas meninas, mesmo depois de mulheres, serão sempre "nossas meninas".

Pelo dia de hoje, tão especial, mais ainda para as MÃES ESPECIAIS, deixo aqui uma homenagem - dedicada à minha mãe - que quero compartilhar com todas as outras.



domingo, 3 de abril de 2011

Dia Mundial de Conscientização do Autismo

Desde 2008, o dia 02 de Abril foi designado como o “Dia Mundial de Conscientização do Autismo”, segundo a Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), e reforçado pela Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. Em sua Quarta Edição, realizada ontem, o Dia Mundial de Conscientização do Autismo foi lembrado em vários países. Além de diversos eventos promovidos por entidades engajadas nesta causa, os principais monumentos e pontos turísticos ao redor do globo foram iluminados de maneira especial, na cor azul, para lembrar a todos sobre a importância desta data. Também no Brasil, monumentos em diversos Estados foram usados como símbolo deste dia.

Uma iniciativa como esta nos faz lembrar o quanto é importante:

- Levar à sociedade informações sobre os transtornos do espectro autista (dentre os quais está classificada a Síndrome de Rett), pois CONSCIENTIZAÇÃO E INFORMAÇÃO CAMINHAM JUNTAS;

- Divulgar e apoiar iniciativas de pessoas, organizações e entidades dedicadas ao acompanhamento dos pacientes e apoio aos seus familiares;

- Lutar contra o preconceito e a exclusão, aos quais as pessoas afetadas pelo espectro autista, infelizmente, ainda estão expostas.


Então, marque em seu calendário o dia 02 de Abril. E lembre-se: o azul também pode ser a cor da ESPERANÇA...


Para saber mais sobre o Dia Mundial de Conscientização do Autismo:

http://www.worldautismawarenessday.org/site/c.egLMI2ODKpF/b.3917065/k.BE58/Home.htm

http://www.adefa.com.br/portal/


quinta-feira, 17 de março de 2011

Elisandra e sua história

Por Simone Ribas Bolfer


“A APAE/Jaguariaiva acompanhava e nos dava notícias das três crianças. Quando ela tinha perto de um ano e dois meses, o Dr. José Luiz foi até lá e fechou o terceiro diagnóstico Rett na mesma família. Entrei em contato com a Ísis Riechelmann, presidente da Abre-te Rio, a Sra. Jane Sberze, da APR (Associação Paranaense de Reabilitação), a Silvana Santos, de São Paulo, e chegamos a conclusão que esta família deveria ser do conhecimento dos médicos de todo o mundo. Juntamos verbas e pagamos a viagem do Dr. José Luiz para apresentar o caso em um congresso sobre a Síndrome de Rett na Bélgica. Todos estavam empenhados porque tínhamos um “bom” pressentimento com relação às respostas para nossas perguntas. Enquanto isso, lá fora, chegavam noticias de tia e sobrinha, irmãs filhas do mesmo pai. Estas famílias também sendo divulgadas para a comunidade médica. E com certeza investigadas.

Durante todo esse tempo criei uma relação com a Tereza de amizade. Era muito bom, também para mim, apoiá-la. Falávamos continuamente, e continuamos nos falando até hoje. Esta mãe é uma pessoa linda, com uma abnegação àquelas filhas. E grávida de novo! Nasceu Romaine, em 28/01/1995, hoje com 16 anos. Novamente a APAE/Jaguariaiva passou a acompanhar o desenvolvimento desta nova menina. Ela frequentou a APAE até dois anos, quando ficou constatado que não era outra portadora da síndrome. Que maravilha! Ficamos felizes todas as mães que participavam do movimento da Síndrome de Rett no Brasil.

Um dia... Liga Dr. José Luiz: – Simone a família da Tereza está sendo chamada para o Hospital John Hopkins de Baltimore (EUA) pela Dra. Sakubai Naidu para participar de uma avaliação e coleta de DNA para investigação genética. Todas as despesas serão custeadas por eles, inclusive a minha passagem. Gostaria que você entrasse em contato com a Tereza e passasse o convite para ela.

Liguei então para a APAE, está era a forma de contato, uma vez que a Tereza não tinha telefone em casa, nem celular. Isso era 1997. A presidente da APAE me ligou então, dizendo que a Tereza concordava em ir, se eu fosse junto. A própria presidente disse que se sentiria mais tranquila. Por que eu era mulher, mãe de uma menina e a Tereza já me conhecia há muito tempo.

Novamente a Abre-te do Rio, São Paulo e Paraná se organizaram, conseguiram verba para a minha passagem. Embarcamos em outubro, não lembro o dia, mas voltamos perto do dia 20, porque comemoramos o aniversário de nove anos de Elisandra no dia 18. No último dia 18 de outubro ela fez 22 anos. Viajamos o Dr. José Luiz, Tereza, sua filha mais velha Silmara, que então tinha 19 anos, Elisandra, Daniele, Romaine e eu. O Dr. José Luiz levou o DNA da Elayne e do pai delas para também ser estudado. Muitos exames foram feitos, entrevistas na TV, reportagem no Washington Post. Ficamos hospedados na Casa Ronald McDonalds. A Dra. Sakubai Naidu tratou a família com muita dignidade. E concluiu que, também a primeira filha e o menino que a Tereza teve eram portadores da síndrome. Houve uma repercussão muito grande do caso tanto no Brasil (Fantástico) como lá fora. Passaram-se 2 anos, e em final de 1999 foi divulgado a identificação do gene MECP2 como o gene associado à síndrome de Rett. Para mim o dia mais feliz da minha vida, porque se abriu a porta para a possível cura.

Por que esta família é tão importante? Por que pelo comparativo de tantos DNAs, ela veio para confirmar as conclusões que eles já vinham desenvolvendo. Conseguiram, segundo Dra. Naidu, fechar o estudo. Na verdade, ela cedeu o DNA da família para a Universidade de Stanford, que estava mais adiantada nas pesquisas. Foi uma grande lição de vida poder conviver diariamente, por quinze dias, com esta mãe, triplamente mãe. Sinto uma proximidade delas até hoje. Parece que o tempo não passou.

No dia 11 de fevereiro Tereza me ligou contando que Elisandra tinha morrido no dia 07. Agora ela só tem a Daniele. Ela estava muito triste, choramos juntas. Mas ao mesmo tempo todos nós, pessoas ligadas à síndrome de Rett no mundo inteiro, devemos agradecer a vida destas meninas, que tanto contribuíram para chegar à localização do gene da síndrome de Rett.

Tantas mães teriam participado desta empreitada da mesma maneira. Quis o destino que eu estivesse naquele lugar, naquela época e participasse ativamente desta parte da história da Síndrome de Rett. Moro no Rio de Janeiro há doze anos. Agora, torço diariamente para que estes maravilhosos médicos que dedicam a suas vidas a estudar esta síndrome cheguem logo à cura. Que um dia as crianças, meninos e meninas, quando nascerem possam ser identificados como portadores da mutação genética, se necessário que a intervenção ocorra e a síndrome não se desenvolva. Ainda vamos viver para ver, eu, Tereza, Ísis, Silvana, Jane e todas as pessoas em todo o mundo que contribuíram para esta parte da história.

A família de Tereza hoje esta constituída de: Tereza e José, seu esposo; Romaine, com 16 anos. Silmara, 33 anos, dois filhos homens e marido. Cristiane 27 anos, sete filhos, cinco mulheres e dois homens, e marido. E Daniele, com 18 anos.”

domingo, 12 de dezembro de 2010

Atendimento de pacientes no HUGG

Para atendimento de pacientes através do Ambulatório do Hospital Universitário Gaffré e Guinle, com o Dr. Fernando Regla Vargas ou a Dra. Maria Angélica de Faria Domingues de Lima, entrar em contato pelos telefones (21) 2264-1662 ou (21) 2264-1595. O endereço é Rua Mariz e Barros, 775 - Tijuca - Rio de Janeiro.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Para um natal cheio de esperanças...

Olá Leitores,


Gostaria de compartilhar com vocês uma entrevista que li na Veja enquanto pesquisava alguns artigos sobre a evoloção dos tratamentos afim de curar e de mehorar a vida de nossas meninas.

Sou colaboradora do blog desde 2008 e nunca postei absolutamente nada. Uma vergonha eu sei, até porque tenho uma irmã de 19 anos com a Síndrome, tenho um curso não finalizado de Biologia, hoje estudante de Biomedicina e deveria sim, ter trocado algumas experiências por aqui.
Prometo que a partir de hoje estarei sempre por aqui partilhando meus aprendizados, pesquisas e experiências vividas com minha irmã.

E como estamos em momento de festa, de fim de ano, natal, ano novo.....Deixo aqui uma entrevista realizada com o doutor Alysson Muotri para renovar nossas esperanças.

Tenham todos um natal e um novo ano maravilhosos.

Thiesca Merisse


Células-tronco ensinando a tratar doença de Rett.
Por Mayana Zatz

Recentemente relatei uma pesquisa desenvolvida pela doutora Maria Rita Passos-Bueno, do Centro do Genoma Humano, mostrando como células-tronco obtidas da polpa dentária de crianças com lábio leporino e palato fendido ajudavam a desvendar os mecanismos responsáveis pelo aparecimento dessa malformação congênita. Agora uma nova pesquisa realizada pela doutora Maria Carolina Marchetto e doutor Alysson Muotri, dois cientistas brasileiros, permite um salto importante. A partir de células de pele (fibroblastos) obtidos de meninas com síndrome de Rett – uma doença genética neurológica progressiva – esses cientistas conseguiram gerar neurônios, descobrir o que havia de errado neles e propor estratégias para corrigir o defeito genético. O trabalho que foi publicado na revista CELL é um exemplo de como, além da terapia celular, as células-tronco podem contribuir para descobrir mecanismos que causam doenças e indicar novos caminhos para tratá-las. Para falar mais sobre conversei com o doutor Alysson Muotri que foi o coordenador dessa pesquisa e que atualmente está na Universidade da California.

Doutor Alysson, você poderia explicar o que é a síndrome de Rett e por que ela só afeta quase que exclusivamente meninas?


A síndrome de Rett é uma doença causada por alterações no gene chamado MeCP2, cuja função ainda não é bem estabelecida. Esse gene se localiza no cromossomo X, e é importante para estágios iniciais do desenvolvimento humano. Dessa forma, meninos (XY) que possuem apenas uma cópia do gene, têm menos chances de sobreviver caso aconteçam alterações no MeCP2. Meninas (XX) por outro lado, possuem duas cópias do gene, sobrevivendo melhor durante o desenvolvimento, pois a outra compensa até certo ponto. Existem alguns raros meninos com Rett que conseguem sobreviver, mas neles o quadro clínico é bem mais dramático do que nas meninas.

Já ouvi mais de uma pessoa dizendo que vocês haviam descoberto a cura para o autismo. Qual é a diferença entre a síndrome de Rett e autismo?


A síndrome de Rett faz parte do que chamamos de doenças do espectro autista. Essas doenças têm em comum os comportamentos repetitivos e dificuldade na socialização. Como o próprio nome diz, o “espectro” ou leque de doenças, sugere que existam casos mais amenos e outros mais severos. A síndrome de Rett está no extremo mais severo do espectro autista, pois além dos problemas comportamentais, as crianças também apresentam dificuldades motoras progressivas. Além disso, o gene responsável por essa síndrome já é bem conhecido.

Para estudar o que causa a síndrome de Rett vocês precisaram diferenciar células retiradas da pele em neurônios. Como vocês fizeram isso?

Meu grande sonho é poder estudar o desenvolvimento neural de pacientes com doenças psiquiátricas no laboratório. Até então tínhamos duas opções: modelos animais ou tecidos cerebrais doados após o falecimento do paciente. No primeiro caso, os modelos animais são limitados. Apesar de serem ótimos para pesquisar alterações motoras da doença, o comportamento social e cognitivo é difícil de ser estudado. Na segunda alternativa, os tecidos postmortem chegam aos laboratórios em condições precárias. Além disso, os efeitos e danos causados pela doença já aconteceram. Fica difícil então determinar quais foram os eventos iniciais que originaram o processo patológico.
Cerca de quatro anos atrás, o grupo japonês liderado pelo pesquisador Shinya Yamanaka surpreendeu o mundo ao demonstrar que células já especializadas de um indivíduo adulto, como células da pele, poderiam ser induzidas para um estágio primordial, comportando-se como células-tronco embrionárias. Essas células primordiais teriam a capacidade de formar outras células do indivíduo, como células do cérebro, por exemplo. Apesar do óbvio potencial de uso dessa tecnologia na medicina regenerativa, meu grupo e outros imediatamente visualizaram o uso para a modelagem de doenças neurológicas.
A reprogramação de células da pele foi feita pela expressão forçada de genes envolvidos na manutenção de células-tronco embrionárias humanas. Dessa forma, células da pele ‘pegam no tranco’ e passam a se comportar como células pluripotentes, tendo a capacidade de se especializar em outras células de outros tecidos.


O que vocês encontraram de diferente nos neurônios desses pacientes em comparação aos neurônios normais?


A característica mais fácil de se reconhecer foi o tamanho reduzido do núcleo das células neuronais dos pacientes em relação aos controles. Elas são 10% menores. Pode não parecer muito, mas células são tridimensionais, então a diferença levada ao cubo acaba sendo bem significativa. Essa simples observação já fornece uma explicação interessante do porque os pacientes com Rett apresentam uma redução do tamanho do cérebro, independente de degeneração neuronal.
Também observamos que os neurônios dos pacientes possuem uma menor arborização e uma redução no número de sinapses. As sinapses são estruturas pelas quais os neurônios se comunicam entre si. Isso sugere que as redes nervosas estariam defeituosas também. Confirmamos isso por métodos independentes.
O passo final foi investigar se as alterações eram permanentes ou não. Testamos algumas drogas na esperança de reverter essas características. Em duas ocasiões, encontramos compostos que foram capazes de deixar os neurônios doentes semelhantes ao grupo controle. Isso é fenomenal, pois indica uma potencial janela de aplicações terapêuticas.


Qual é a dificuldade em repetir essa estratégia em doenças que só se manifestam em idades mais avançadas, por exemplo a doença de Alzheimer ou a esclerose lateral amiotrófica (ELA), uma doença que tem sido objeto de muitas pesquisas aqui no Centro do Genoma Humano?

As deficiências nos neurônios de pacientes cujas doenças só se manifestem em estágios avançados podem ser causadas por fatores cumulativos. Isso indica que pode levar anos até que os neurônios apresentem alguma alteração. Como não conseguimos manter os neurônios no laboratório por muito tempo, isso acaba sendo um fator limitante na pesquisa. Uma alternativa seria tentar o uso de agentes que acelerassem o processo de envelhecimento neuronal, o que poderia eventualmente revelar possíveis características da doença nessas células.



http://veja.abril.com.br/blog/genetica/sem-categoria/celulas-tronco-ensinando-a-tratar-doenca-de-rett/

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Informações sobre a I Jornada sobre Síndrome de Rett do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle


Para quem estiver interessado em saber mais sobre a Jornada sobre síndrome de Rett, a programação do evento está disponível (arquivo em PDF) no link abaixo:



As figuras abaixo contém as instruções para fazer o download do arquivo pelo RapidShare.


sexta-feira, 12 de novembro de 2010

I Jornada sobre Síndrome de Rett do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle

É com muita satisfação que convidamos vocês para a "I Jornada sobre Síndrome de Rett do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle". Este evento terá como objetivos (1) Promover o encontro entre familiares e profissionais envolvidos no cuidado de pacientes; (2) Discutir os conhecimentos mais atualizados com relação a doença; (3) Fomentar a retomada de atividades da Associação Brasileira de Síndrome de Rett (ABRE-TE) no Estado do RJ.


Esperamos que esta seja a primeira de tantas outras jornadas.



quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Publicação

Esta postagem é para comunicar a publicação de nosso primeiro artigo científico, decorrente de nosso estudo sobre o gene MECP2 e a síndrome de Rett. O artigo, intitulado "Identification and characterization of novel sequence variations in MECP2 gene in Rett syndrome patients", submetido para a revista Brain & Development, está disponível para acesso on-line. Não poderíamos deixar de agradecer às pacientes e suas famílias, que são a maior motivação de nosso trabalho.
Esperamos que este artigo dê mais visibilidade ao tema, no âmbito da comunidade científica brasileira, e estimule outros grupos de pesquisa a se engajarem neste assunto.

domingo, 10 de maio de 2009

A mãe compreende até o que os filhos não dizem...






Obs.: Por conta de probleminhas técnicos, nossa mensagem para as mães está um pouquinho atrasada...
Mas é de coração...

sexta-feira, 8 de maio de 2009

As vésperas do dia das mães...

O informativo "GAZETA" da cidade de Bento Gonçalves/RS, publicou um post bastante interessante.
As vésperas do dia das mães, a Associação Gota D'Água organizou uma comemoração especial para pessoas que cuidam de outras pessoinhas especiais: mães de portadores de Autismo.
Bom, nosso blog não é "exatamente" sobre Autismo, mas de qualquer forma, falamos de pessoas especiais - os portadores da Síndrome de Rett e seus familiares - que sempre merecem uma tratamento de primeira qualidade. Por isso vim mostrar essa noticia bacana.


Sobre a Associação Gota D'Água, o site CONCEITO.COM diz que "A instituição... foi criada por pais de crianças, adolescentes e adultos com Transtorno Invasivo do Desenvolvimento - AUTISMO. Com a missão de proporcionar à pessoa autista uma vida normal, dentro de seus limites, com trabalho, saúde, lazer e socialização, a associação atua para oferecer uma educação específica ao autista com profissionais preparados. Pensando nisso surgiu a necessidade de haver um espaço específico com uma equipe multidisciplinar onde os autistas pudessem passar parte do dia orientados por profissionais capacitados, desenvolvendo habilidades importantes para sua própria independência, cidadania e integrando-se de maneira satisfatória à sociedade."
Bom, como ainda não é dia das mães, não vai ter post de Feliz dia das Mães ainda!
Mas fica a dica...
Já que elas cuidam com tanto carinho, merecem ser cuidadas também!!!!

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Colaboração

Aos profissionais de saúde, pais e terapeutas que tiverem interesse em ser "colaboradores" deste blog, adicionando postagens que considerem relevantes, enviem um e-mail para mim (leilaschuindt@gmail.com) para que eu possa enviar um convite a vocês.

Afinal de contas, o objetivo deste blog é ser uma ferramenta acessível, gratuita e abrangente que nos permita levar informações sobre a síndrome de Rett a quem precisa. Quanto mais pessoas engajadas nesta proposta, melhor!